A ansiedade está presente na experiência humana desde o nascimento, tendo papel funcional importantíssimo na interação do homem com o meio ambiente. Trata-se de uma sensação desconfortável que pode produzir, conforme sua intensidade, desde leve insegurança até total incapacidade de agir ou pensar com clareza.

A ansiedade sai do estado de normalidade esperado para o desenvolvimento saudável do ser humano quando o incapacita a lidar com determinados aspectos de sua vida. Nesse caso é classificada como ansiedade patológica.

Ansiedade Normal: Existem sintomas e sentimentos como receio, aflição, taquicardia, sudorese, dilatação de pupila, tremores, etc. Os sintomas são relacionados a uma situação específica e são proporcionais aos riscos envolvidos. Todo mundo se sente ansioso em situações de avaliação, em situações que envolvem riscos físicos ou em ocasiões de grandes emoções como o nascimento de um filho, grandes conquistas, etc. A ansiedade ajuda o ser humano a se antecipar e cria um ambiente cognitivo que possibilita a tomada rápida de decisões.

Ansiedade Patológica: Os sintomas de ansiedade são desproporcionais aos fatores que os provocam, especialmente quando ocorrem em situações comuns do dia-a-dia. Os riscos envolvidos não justificam os sintomas e eles acabam interferindo na qualidade de vida do indivíduo. A ansiedade patológica limita a percepção e dificulta a tomada de decisões, podendo gerar restrição social e impactar negativamente diversos aspectos da vida da pessoa.

Como podemos perceber, o que diferencia a Ansiedade Normal da Doença é sua intensidade, os fatores que a desencadeiam e o impacto que ela exerce na funcionalidade do indivíduo.

Existem diversos quadros de ansiedade patológica que podem gerar sensações diferentes. Dentre estes vamos destacar as características de sete diferentes quadros de ansiedade.

TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada)
Pessoas com Transtorno de Ansiedade Generalizada se sentem, durante grande parte do tempo, ansiosas e pressionadas. Existe uma tensão desproporcional relacionada aos eventos do dia a dia. Junto com esta tensão percebemos sintomas como irritabilidade, insônia, taquicardia, pouca tolerância à frustração e alterações na respiração. Estes sintomas oscilam em grande parte do dia, limitando a execução de atividades e a interação social.

 Síndrome do Pânico

A síndrome do pânico é caracteriza por ser uma forma intensa e incapacitante de ansiedade. Pode ocorrer em situações específicas ou surgir sem causa aparente. A maioria dos eventos e consequentemente dos sintomas tem uma duração média de 10 a 20 minutos, podendo haver crises mais prolongadas. O indivíduo é tomado por sintomas físicos e psíquicos de grande intensidade, frequentemente relacionados à sensação de morte iminente, sufocamento e angústia. Existe um medo extremo e sintomas físicos como dor no peito, falta de ar, palpitação, sudorese, entre outros. É muito comum que estes pacientes procurem centros de saúde confundindo as crises com infarto ou arritmia.

Agorafobia
O paciente que experimentou uma crise forte de ansiedade passa a temer novas crises. Normalmente a agorafobia está vinculada a situações de fobias especificas, ou a crises de pânico anteriores. Quem sofre com este quadro de ansiedade tem medo de passar mal e passa a evitar situações sociais, ambientes com poucas rotas de fuga. A agorafobia gera um isolamento progressivo.

Estresse Pós-Traumático

É quando os sintomas de Ansiedade ocorrem após um trauma psíquico intenso, em situações pontuais como acidentes, assaltos, internações por doenças graves. São comum flash backs e pesadelos relacionados ao evento em questão.

TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo)

O Transtorno Obsessivo Compulsivo ocorre quando pensamentos obsessivos nem sempre lógicos trazem ansiedade que só é aliviada por comportamentos compulsivos, repetitivos e desmotivados. São exemplos: lavar as mãos repetidamente, obsessão por simetria, limpeza excessiva, compulsão alimentar (eu preciso comer determinada quantidade de alimento), compulsão por jogos (caso eu não ganhe três vezes algo ruim pode acontecer), compras, etc.

Fobias Específicas

Ocorrem quando a pessoa manifesta tensão e ansiedade intensas diante de determinada situação ou objeto. Por exemplo: Aranhas, avião, lugares fechados, etc.

Ansiedade Orgânica

Abstinência a Medicamentos; uso de drogas, hipertireoidismo, etc.

Nos últimos anos, estudos estão relacionando a ansiedade com a neuroquímica cerebral, fato que nos ajuda em intervenções terapêuticas. Isso quer dizer que muitas vezes quando tratamos algum quadro de patologia aparentemente orgânica, precisamos levar em consideração a interferência de nossas emoções, comportamentos e psiquismo, já que muitas vezes nosso psiquismo gera uma influência em nossos neurotransmissores e, por consequência, na condição médica.

Como exemplo da relação da ansiedade com quadros clínicos fisiológicos podemos citar pacientes com transtornos alimentares. A quantidade de alimentos, a qualidade dos alimentos, refeições muito rápidas podem levar a sintomas físicos. O estresse também está associado à secreção ácida relacionada à digestão.

Outro exemplo são quadros de doenças multifatoriais, onde os níveis de ansiedade são frequentemente altos, sendo percebidas oscilações de humor, distúrbios no sono e fugas de pensamento, que são sintomas de ansiedade.

Portanto, é importante ampliarmos nossa percepção sobre nosso organismo. Não podemos dissociar a mente do corpo. A inter-relação entre os dois é o que nos torna indivíduos complexos e únicos, que muitas vezes apresentam respostas completamente diferentes frente às mesmas situações.

Maiara Amaral, psicóloga clínica do REHAB – CRP/DF 01.18752

 

 

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