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Como os hábitos surgem em nossas vidas e como formar, voluntariamente, novos hábitos ou modificar os antigos.

Para começar é importante saber que um hábito pode ser físico (fazer algo), mental (pensar algo) ou emocional (sentir algo). Também é importante saber como os hábitos se formam e porque temos tanta dificuldade quando queremos mudá-los.

Digamos que estou frente a um estímulo visual como uma vitrine de bolos, um comercial ou um lugar bonito; que estou frente a um estímulo auditivo como uma música; que estou frente a uma pessoa que me inspira medo ou raiva; que estou chegando em casa do trabalho; que estou na escola ou no trabalho, ou qualquer situação da vida. Vamos considerar cada um desses estímulos como precipitadores ou como deixas para algo acontecer.

Esse algo que vai acontecer pode ser: comprar o bolo ou não, ficar alegre ou triste, fugir ou enfrentar, tirar o sapato ou assaltar a geladeira, ser elogiado, sentir orgulho ou outro tipo de ação ou emoção. O fato é que quando compro e como o bolo tenho prazer, quando passo reto pela vitrine sinto-me bem por ter resistido à tentação; quando fujo de algo que me dá medo paro de sentir medo, se tiro os sapatos ao chegar em casa sinto conforto, se assalto a geladeira mato a fome; se sou elogiado na escola fico orgulhoso. Minha ação vai trazer algum tipo de recompensa.

Assim, o precipitador leva a uma ação ou emoção, que leva a uma recompensa. Ao longo do tempo, com a repetição, a ação frente ao precipitador vai se tornando automática. Quando fica automática está formado o hábito e, quando isso ocorre, o cérebro para de participar da tomada de decisões. O cérebro para de se esforçar e desvia o foco para outras tarefas. A não ser que você lute deliberadamente contra um hábito, que encontre novas rotinas, o padrão irá se desenrolar automaticamente.

Para formar um novo hábito devo criar um anseio simples (um desejo), devo então criar um precipitador e estabelecer uma recompensa. E para superar um hábito precisamos reconhecer qual anseio (desejo) está acionando aquele hábito (ou comportamento).

Exemplo: pesquisas sobre criação de novos hábitos alimentares
mostram que temos que criar uma deixa (um precipitador) bem definido,
como planejar cardápios com antecedência e fazer as compras para seguir
o cardápio estipulado, além de estabelecer recompensas simples no caso
de conseguirmos persistir em nossas intenções, como comprar algo que
queríamos há algum tempo ou colocarmos uma estrela num mural.

Exemplo: formação do hábito de fazer atividade física
Elejo um precipitador (deixar roupa da academia ao lado
da cama); elejo uma recompensa clara (uma guloseima no meio do dia,
registro quantos quilômetros andei ou quantos minutos fiz ou quanto peso
levantei, etc…).

Mas, não basta: você deve começar a nutrir uma expectativa da recompensa (ansiar pelo senso de realização, ansiar pela perda de cada meio quilo ou pela sensação agradável da liberação de endorfinas), isso tornará a nova rotina automática. Podemos ansiar pelo tapinha nas costas, pelo toque de finalização, pelos parabéns, pelo sorriso, pelo reconhecimento do grupo, etc…………….

Dificuldade: os hábitos antigos (as nossas rotinas) nunca
desaparecem de fato, ficam à espreita, esperando as deixas
(precipitadores) e recompensas certas para voltar.

Curiosidade: esse conhecimento tem sido utilizado em marketing e
em educação. Os exemplos são incontáveis.

 

Autor: Dra. Claudia Barata Ribeiro – CRM-DF 9396