Cada pessoa tem uma forma particular de responder aos estímulos sensoriais do dia a dia, sejam adultos ou crianças. Segundo a autora Winnie Dunn, pessoas que apresentam dificuldades no processamento sensorial podem lidar com os estímulos de duas maneiras principais. Quando a pessoa tem baixos limiares sensoriais, ela vai notar e responder aos mínimos estímulos com frequência aumentada porque o sistema se ativa facilmente frente a esses eventos mínimos. Quando uma pessoa tem limiares sensoriais altos, isso significa que ela vai perder estímulos que outros percebem facilmente porque o sistema precisa de informações mais fortes para se ativar.

Depois que um estímulo sensorial é recebido, a resposta pode ser dada de duas maneiras principais: por meio de uma estratégia passiva, na qual o indivíduo recebe as informações sensoriais do ambiente em torno dele, e só depois reage. Como exemplo, uma criança pode continuar sentada em meio a outras crianças durante uma brincadeira e ficar irritada devido ao barulho excessivo. Sua estratégia é a de auto regulação passiva, uma vez que escolheu permanecer nesta área barulhenta, mesmo depois de se sentir desconfortável com os sons em excesso. O contrário disso são as pessoas que utilizam uma estratégia ativa, que tendem a ter atitudes para controlar a quantidade de estímulos sensoriais que está chegando a elas, por exemplo, a mesma criança que brinca em meio a outras em um local com muito barulho mudaria para um lugar mais silencioso quando ficasse incomodada. Trata-se de uma estratégia de auto regulação ativa, mudando sua localização e assim recebendo uma quantidade menor de estímulos.

É importante salientar que as pessoas podem ter mais de um padrão de processamento sensorial. Ao considerar os diferentes sistemas, uma pessoa pode ter alta sensibilidade para o toque, mas ter baixa para os sons. Por essa razão, é importante que os padrões apresentados pelas crianças sejam reconhecidos, tornando possível a adaptação de suas experiências sensoriais e do ambiente para atender às suas necessidades específicas de processamento sensorial.

Os profissionais da área infantil devem ter o cuidado de avaliar como a criança responde as diferentes atividades do cotidiano para entender o que pode estar dificultando sua participação, seja para se alimentar, para tomar banho ou para se relacionar na escola. Quando se avalia bem, junto aos pais (no caso de crianças) ou a vida de um indivíduo já adulto, encontramos ferramentas que podem ser trabalhadas através da perspectiva do processamento sensorial para que os estímulos sejam fornecidos de maneira mais controlada, permitindo uma resposta mais adequada e, assim, uma maior participação social.

Pensando nisso, os terapeutas devem identificar as rotinas que são desafiadoras para, em seguida, construírem estratégias nas quais as necessidades de processamento sensorial sejam atendidas. Além disso, devem orientar os pais ou os próprios pacientes a reconhecerem suas necessidades e a criarem estratégias para melhorar as suas atividades, seja em casa seja em outros ambientes.

Referência: Supporting Children to Participate Successfully in Everyday Life by Using Sensory Processing Knowledge. Autora: Winnie Dunn. (2007)

Resumo por: Helmorany Nunes, fisioterapeuta do ReHaB

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